A música que incomoda: conflitos e tensões na experiência musical contemporânea (2016-2019)

As pesquisas sobre música e sociedade debruçam-se majoritariamente sobre experiências musicais voluntárias. Tais experiências produzem intensificações de afetos, colaboram na construção de identidades e pertencimentos (DeNora), processam e negociam gostos e preferências (Frith, Janotti Jr.), elaboram ideias e valores compartilhados socialmente. Através do gosto ou, das “performatizações do gosto” (Hennion), profundos debates sociais são travados, tensionados e processados individual e coletivamente. Sem negar a importância de tais debates e pesquisas, esse projeto parte da percepção de que pouco destaque tem sido dado às experiências musicais involuntárias, realizadas de modo não intencional, normalmente de forma fragmentada e que com grande frequência causa irritação, tédio, angústia ou rechaço. No mundo atual, marcado fortemente por uma intensa ubiquidade de música (Tagg 2014), somos constantemente bombardeados com músicas que não escolhemos ouvir, que invadem espaços sonoros produzindo significados e tensões sobre as quais não temos refletido adequadamente. Talvez seja até possível afirmar que a maior parte das experiências musicais urbanas atuais seja realizada de forma involuntária. O objetivo deste projeto é investigar as diversas formas de conflitos que perpassam as experiências musicais involuntárias, buscando interpretar de que modo a música pauta momentos da vida social e contribui para processamento de ideias e valores através da negação, do rechaço e do incômodo.

Palavras-chave: Música Popular, Incômodo, Violência, Valor Cultural, Alteridade

Financiamento: CNPq (Bolsa de Produtividade em Pesquisa) e Faperj (Jovem Cientista de Nosso Estado)




Músicas periféricas de massa no Brasil contemporâneo (2013-2015)

Este projeto representa uma continuidade das reflexões iniciadas em 2011 sobre a circulação das músicas periféricas de massa, contemplada com Bolsa de Produtividade em Pesquisa (2011-2013) sob o título Sexualidade e humor nas músicas periféricas de massa. A partir de interpretações produzidas em torno de alguns dos objetos da pesquisa, novos desdobramentos apontaram para a ampliação do debate sobre a noção de “popular” associada a essa produção musical. Nos últimos dez anos, podemos observar a emergência midiática de práticas musicais associadas ao universo da “periferia” e ao “popular”. As músicas periféricas de massa apresentam certas características que circulam entre os vários gêneros musicais e regiões do país (e até mesmo em outros países), narrando novas formas de representar o universo popular. Trata-se de uma nova cultura popular que emerge a partir do terreno complexo das periferias das cidades, num ambiente midiatizado, digital, e tecnológico. Um dos elementos constantes em todas essas práticas musicais é uma particular ênfase na dança e do corpo, estabelecendo formas de compartilhamento e negociação da sexualidade. Reforçando os objetivos do projeto anterior, essa pesquisa tem como objetivo investigar de que forma as músicas periféricas de massa constroem e tensionam um imaginário compartilhado sobre o universo “popular”, fundindo as ideias de alegria e descontração com debates sobre conduta sexual, moralidade, diversão, e estilos de vida. O ambiente jovem, o uso da tecnologia, da sexualidade e do humor são os quatro aspectos centrais nesse processamento da noção de periferia, que assume lugar de destaque no cenário cultural nacional (e internacional) contemporâneo. A hipótese principal que norteia esse trabalho é de que as músicas periféricas de massa tem conseguido atravessar fronteiras sociais e pautar uma audibilidade e uma visibilidade sobre os setores populares. Entretanto, as mais bem sucedidas incursões dessas práticas musicais em ambientes hegemônicos da mídia ainda está permeada por estereótipos desqualificantes, que localizam o popular num plano inferior de valoração em relação à “cultura legítima”. Desta forma, a pesquisa tem como intenção problematizar o viés irônico e preconceituoso que cerca tais produtos musicais, sem deixar de observar que o verniz bem humorado é acionado pelas próprias músicas, pelos artistas e pelo enorme público das músicas periféricas de massa.


Palavras-chave: periferia, sexualidade, masculinidade, humor, música popular

Financiamento: CNPq (Bolsa de Produtividade em Pesquisa) e Faperj (Jovem Cientista de Nosso Estado)

Equipe: Júlia Silveira, Henrique Reichelt, Pedro Marra, Luciana Oliveira, Rafael Lage, Caroline Dabela

DOC



Valor e moral no forró contemporâneo (2010-2011)

O presente projeto tem como objetivo investigar as estratégias de valoração na música popular, especialmente aquelas que dizem respeito ao conteúdo moral inscrito no universo do forró atual em Pernambuco e em todo o país. A música é entendida aqui como uma forma de pensamento e ação no mundo difundida midiaticamente e, por isso, ela é agente de negociações morais e vetor de conflitos sociais. Ao mesmo tempo, a experiência musical está associada a determinadas hierarquizações de gostos que opera como campo de embates valorativos e éticos entre indivíduos e grupos sociais. Através da análise de repertórios compartilhados em larga escala, buscar-se-á entender de que forma a música popular colabora nos processos de elaboração de pensamentos e na negociação social de juízos de valor e códigos morais, aprofundando o debate acerca da qualidade musical e suas implicações no cenário da normatização de comportamentos sexuais e morais dos indivíduos e grupos sociais. 

Palavras-chave: forró, sexualidade, moral, valor cultural, música popular

Financiamento: Fundarpe (Funcultura 2010)

Equipe: Débora Freitas Baia, Vagno Higino da Silva, Pedro Paz e Erlan Siqueira




Música popular e mercado nordestino: estética e identidade nos fluxos comunicacionais do forró (2008-2010)

O projeto de pesquisa Música popular e mercado nordestino: estética e identidade nos fluxos comunicacionais do forró tem como objetivo analisar as estratégias de inserção mercadológicas dos artistas, músicos e produtores envolvidos com o ambiente do forró. A música popular é entendida aqui como vetor de identidades culturais e sua circulação pela sociedade oferece campo para disseminação de pensamentos e visões de mundo dos atores sociais na complexidade das cidades contemporâneas. Nesse sentido, a música identificada como “forró” fornece um ambiente sócio-musical no qual diversas tendências estéticas e pensamentos coletivos disputam espaço e legitimidade no mercado. As disputas entre o forró pé-de-serra e o forró eletrônico são uma vertente de diálogos e conflitos entre grupos sociais e circuitos de legitimação que cercam a sociedade nordestina.

Palavras-chave: cultura de massa; música popular; forró

Financiamento: Facepe (Edital Primeiros Projetos PPP 2008) e CNPq (Edital Universal 2008-2010)

Equipe (2008-2010): Paulo Thiago Camelo, Bruna Alquete de Arreguy Baptista, Maria Cecilia Hunka Maranhão Alves, Débora Freitas Baia, Ibrantina Guedes Lopes